7 de ago de 2009

Run Forest, Run Forest...

Era essa a frase mais repetida no filme Forest Gump, porém vou fazer uma associação com o a situação vexatória que certa vez passei.


Como vivo numa briga com balança, e não sou muito fã de academia, isso mesmo sou um réu confesso. As vezes vivo certas privações, corto uma coisa aqui, e outra ali.

Meus amigos me convenceram e me carregaram para uma academia daqui da cidade em que resido. Chegando lá, fizemos todos os passos, nos inscrevemos, pagamos as devidas taxas, e marcamos a avaliação física. Um a um fomos avaliados, quando chegou na minha vez, o instrutor que me atendeu, foi super educado e atencioso, soube usar as palavras as certas,e até me incentivou mais a criar o hábito de freqüentar a academia. Em seguida como de praxe ele nos conduziu até o outro instrutor que montaria as séries de exercícios que cada um de nós deveria seguir. Pois bem, ele foi atendendo os meus amigos primeiro e me deixando por último. Até esse momento eu não havia notado nada de estranho. Porém quando chegou a minha vez, ele fez um sinal para mim, e me conduziu até uma mureta baixa que servia de separação de uns ambientes e fez um sinal para que eu me sentasse ali. Achei estranho pois ele não havia tido esse comportamento com os meus amigos, mas enfim , fiz o que ele pediu. Sentei e ele conversou comigo. E disse:
“Bom, olha só, eu não te aconselho a fazer academia não, porque pessoas do seu tipo físico desistem logo, então como a cidade é plana, eu lhe aconselho a fazer caminhadas...”

“Pêra aí”, como assim pessoas do meu tipo físico? (pensei)

Absurdamente, não sei o que me ocorreu pois não sou de levar desaforo para casa. Mas fiquei atônito.

Que profissional é esse, que julga as pessoas dessa forma. Um profissional desse ramo, ao meu ver tinha pegar sim uma pessoa “gordinha” e desenvolver um excelente trabalho, seria a melhor propaganda do mundo. Mas o que vejo é completamente o contrário, prefere ficar de bate papo com pessoas que já possuem o físico trabalhado do que simplesmente trabalhar em prol daqueles que procuram a academia por motivo de saúde.

Seguindo essa situação a qual fui exposto, lembro-me de uma passagem com uma conhecida de profissão, a qual havia passado por todos os processos seletivos de um determinado hotel de rede, super bem conceituado, que ao chegar na lavanderia do determinado estabelecimento para pegar o uniforme para experimentar, não haviam peças disponíveis para o seu manequim, então ela havia retornado ao seu superior indormando a situação, e disse a ele: “infelizmente na lavanderia não tem uniforme que me sirva..” e taxativamente o mesmo a respondeu “ se não temos uniformes que lhe sirvam , isso é um sinal de que você não serve para essa empresa!” Pois é caros leitores, acreditem se quiser essa foi a resposta por ela ouvida.
Navegando pela internet achei uma matéria que realmente me chamou a atenção, segue abaixo:

O peso do preconceito
O consultor defende o direito de ser gordo e crítica o preconceito das pessoas em relação a obesidade.
Mesmo que não queira emagrecer, o obeso tem o direito de ser respeitado
Há uma minoria no país que é altamente discriminada e que sequer é reconhecida e organizada como uma minoria. Estou falando dos obesos mórbidos.
Considerada atualmente uma doença pela medicina, é fácil identificar a obesidade mórbida. Basta dividir o peso da pessoa por sua altura elevada ao quadrado. Se o número encontrado estiver acima de 39, a obesidade mórbida existe e com ela os possíveis problemas de saúde relacionados. Mas há um mal ainda pior e pouco falado quando o assunto é obesidade: o preconceito.
O obeso sente que a sociedade, quando não o ignora, o agride. A começar pelo rótulo: quem conviveria bem com a alcunha de mórbido? Não há proteção legal ou qualquer mecanismo de defesa aos vexames pelos quais o obeso passa nas ruas diariamente. Você já imaginou o que é ir ao cinema ou viajar de avião e não encontrar uma simples cadeira adequada ao seu tamanho? Ou perceber as risadas das pessoas quando você não consegue passar pela roleta de um ônibus? Enquanto o preconceito racial não é muitas vezes explícito, a maioria das pessoas não se intimida em rir diante de um obeso. É como se ele fosse assim apenas porque é preguiçoso, relapso e comilão. Logo, merece ser motivo de todo tipo de piada.
É claro que a ciência não vê assim a obesidade e encara o problema como uma doença. Os médicos sabem que, por mais que lutem por meio de dietas ou temporadas em spas, nem sempre essas pessoas conseguem emagrecer. Há casos de obesos que comem até menos que pessoas exemplares em sua dieta. Mesmo assim, a sociedade simplesmente ignora as evidências e faz os seus julgamentos movida pela ignorância.
Esse é o caso de uma das maiores consultorias de recrutamento e seleção de altos executivos em São Paulo. Em uma entrevista no rádio, que ouvi há algumas semanas, o representante dessa empresa confessou que 90% dos seus clientes não querem obesos contratados. Afinal, quem não cuida de si mesmo não cuidará a contento dos negócios da empresa.
Como é possível alguém dizer isso no rádio em um país que se diz democrático e contrário a todos os preconceitos? Como julgar a capacidade, a inteligência e a força de vontade de um ser humano apenas por sua aparência física? Ou simplesmente por não se enquadrar fora dos padrões aceitos pela maioria das pessoas? Será que essa empresa de recrutamento e as outras que trabalham com a mesma visão tacanha estão, de fato, prestando bons serviços aos seus clientes? Será que excelentes profissionais não são preteridos em relação a outros visualmente mais corretos e as empresas não acabam perdendo por seu preconceito?
É como se o obeso tivesse apenas duas opções: emagrecer ou se matar. Pelo menos é dessa forma que a mídia trata o problema. Em uma reportagem sobre a cirurgia bariátrica (diminuição do estômago), a apresentadora do programa Fantástico, da Rede Globo, levanta o tema com a seguinte frase: O que fazer quando todas as dietas falharam? Parte-se do pressuposto de que ninguém pode ser feliz obeso. E quem não consegue ou não quer ter um corpinho dentro do padrão global de aparência? Tem que passar o resto da vida atormentado por si mesmo e pelos outros por causa da sua forma física?
Essa perseguição faz com que os obesos se sintam culpados. Alguns terminam adotando para si o mesmo preconceito que sofrem de outras pessoas. Resultado: em vez de se unir em busca dos seus direitos, tratam de seus problemas como uma vergonha como já aconteceu com outras minorias como os gays e os negros, por exemplo.
Mesmo que essa causa não tenha a mesma simpatia da luta de outras minorias, os obesos precisam buscar o respeito que merecem. Muito além da reivindicação de espaço físico adequado para o nosso corpo, é hora de conquistarmos um espaço de verdade na sociedade para que a nossa voz seja levada em consideração em qualquer debate público. Não estou aqui fazendo uma apologia da gordura e dos problemas de saúde que podem estar correlacionados a ela. Mas acho que somente unidos os obesos poderão garantir para si o direito elementar de serem felizes: amarem e serem amados, terem sucesso profissional, irem ao cinema ou simplesmente poderem caminhar tranqüilamente pela rua sem receber olhares de julgamento de outras pessoas.

(fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/2001/conteudo_119691.shtml)

E Para embasamento legal:


POLÍTICA ANTIDISCRIMINATÓRIA
DECRETO - LEI Nº 2.848 DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940
Código Penal
PARTE ESPECIAL
TÍTULO I
Dos Crimes Contra a Pessoa
.......................................................................................
Capítulo V
Dos Crimes Contra a Honra
.......................................................................................
Injúria
Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
Pena: detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
§ 1º O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria;
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo maio empregado, se considerem aviltantes:
Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem:
Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) ano e multa.
...................................................................................
(§ 3º acrescentado pela Lei nº 9.459, de 13/05/97).

(fonte: http://www.dhnet.org.br/dados/lex/brasil/leis/lexdh6.htm)

Um comentário:

  1. ACHO UM ABSURDO ISSO.. SE EU QUE TIVESSE RECEBIDO AQUELA RESPOSTA DO CARA DA CADEMIA FARIA ELE ENGOLIR UM MURRO E AINDA FALAVA ASSIM: SÃO PESSOAS COMO EU QUE PAGAM SEU SALARIO, SEU ANORMAL!!MEU ESTOPIM E CURTISSIMO!!

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